
Deixe-se levar
No ano que começou agora há pouco desejo menos organização e mais espontaneidade. Mais espaço para contemplação e menos para observação.
Compromisso só nas obrigações, porque são implacáveis. No mais, vamos levando em espirais diáfanas.
Planejar é preciso, certo, mas não pode ser um ato imperativo em nossas vidas. Umas boas doses de imprevisto, reunidas a golpes de vista felizes, não farão mal algum.
Caminhar por caminhar. Espiar e deixar o olhar seguir até onde a vista alcança para só aí decidir se vamos por essa estrada ou por aquela ou, até, por nenhuma.
Que nossas escolhas de onde ir possam seguir o que Robert Frost soprou suavemente em seu poema O caminho não percorrido:
“Duas estradas divergiam em uma floresta, e eu…
Peguei o menos percorrido,
E isso tem feito toda a diferença.”
Sim, fazer a diferença por nossas escolhas ainda é uma sábia opção.
Que no próximo ano uma parte dos nossos movimentos sejam em direção ao estático. Parar por parar. Parar porque é bom.
Olhar para um lado ao invés do outro e vice-versa.
Escutar, falar, sorrir, chorar.
Conter-se, expandir-se, rir-se.
Deitar, dormir, sonhar.
Sonhar acordado, sonhar enlevado por uma doce lembrança.
E, para encerrar, desejo que tenhamos mais confiança e que olhemos mais para dentro de nós mesmos. Atitudes que só podem nos trazer coisas boas.
Nem que nos conduzam somente à citação de Walt Whitman, na “Canção da estrada aberta”:
“eu sou maior e melhor do que eu pensava”.













